Amados irmãos e irmãs em Cristo,
Paz!
É com imensa alegria no Senhor que vos apresentamos
o mais novo instrumento de evangelização de nossa Paróquia: o Blog da EPL;
novo passo desta bela caminhada da Equipe Paroquial de Liturgia, que expande seu
apostolado além fronteiras, adentrando nos meios de comunicação digital, oferecendo
assim, suporte e subsídios para a contínua formação e amadurecimento das
Equipes de Liturgia, e dos promotores e animação do Serviço Litúrgico em nossas
comunidades.
Ao início deste novo ano civil, queremos dar graças
a Deus por este trabalho, e ao mesmo tempo, bendizer a Santíssima Virgem Maria por
sua contínua intercessão e proteção nos diversos momentos de nossas vidas; pois
como verdadeira “Theotokos” (Mãe de Deus), é ela quem nos apresenta diante de Seu
Filho, para que d’Ele recebamos o precioso dom da paz e da salvação.
Em suas Catequeses, nas Alocuções da Audiência Geral
nas quartas-feiras, o saudoso papa Beato João Paulo II, nos apresentou de forma
muito preciosa e enriquecedora, a figura de Nossa Senhora nos diversos “mistérios”
de sua vida; desde a sua Natividade à sua Assunção gloriosa. Estes ensinamentos
foram compilados em um volume pelo Profº Felipe Reinaldo Queiroz de Aquino, e publicados
pela editora Cléofas sob o título de “A Virgem Maria – 58 Catequeses do Papa João
Paulo II sobre Nossa Senhora”. E para que possamos aprofundar o conhecimento
deste dom tão precioso que é Maria, gostaria de partilhar com vocês, parte
deste material, a fim de que melhor conhecendo nossa Mãe, melhor conheçamos Seu
Filho e nosso irmão: Jesus.
Finalizo desejando a todos um ano abençoado e
repleto de lutas, conquistas e realizações! E que sob o olhar terno e amoroso
da “Mãe de Deus e nossa”, possamos dar continuidade a este Apostolado em nossas
comunidades, sendo como ‘fermentos’ que colocados à ‘massa’, age de maneira
silenciosa, para a transformação da Igreja de Cristo, onde quer que nos
encontremos.
Fraterno abraço e até o próximo mês!
Eudemir
Moura
Membro
da Equipe de Coordenação da EPL e
Coord.
Pastoral Litúrgica Paroquial
Maria, Mãe de Deus
A contemplação do mistério do nascimento do Salvador tem levado o povo
cristão não só a dirigir-se à Virgem Santa como à Mãe de Jesus, mas também a
reconhecê-la como Mãe de Deus. Essa verdade foi aprofundada e compreendida como
pertencente ao patrimônio da fé da Igreja, já desde os primeiros séculos da era
cristã, até ser solenemente proclamada pelo Concílio de Éfeso no ano 431.
Na primeira comunidade cristã, enquanto cresce entre os discípulos a
consciência de que Jesus é o filho de Deus, resulta bem mais claro que Maria é
a Theotokos, a Mãe de Deus. Trata-se de um título que não aparece
explicitamente nos textos evangélicos, embora eles recordem “a Mãe de Jesus” e
afirmem que ele é Deus (Jô. 20,28; cf. 05,18; 10,30.33). Em todo o caso, Maria
é apresentada como Mãe do Emanuel, que significa Deus conosco (cf. mt.
01,22-23).
Já no século III, como se deduz de um antigo testemunho escrito, os
cristãos do Egito dirigiam-se a Maria com esta oração: ‘Sob a vossa proteção
procuramos refúgio, santa Mãe de Deus: não desprezeis as súplicas de nós, que
estamos na prova, e livrai-nos de todo perigo, ó Virgem gloriosa e bendita’
(Da Liturgia das Horas). Neste antigo testemunho a expressão Theotokos, “Mãe de
Deus”, aparece pela primeira vez de forma explícita.
Na mitologia pagã, acontecia com freqüência que alguma deusa fosse
apresentada como Mãe de um deus. Zeus, por exemplo, deus supremo, tinha por Mãe
a deusa Reia. Esse contexto facilitou talvez, entre os cristãos, o uso do
título ‘Theotokos’, ‘Mãe de Deus’, para a Mãe de Jesus. Contudo, é preciso
notar que este título não existia, mas foi criado pelos cristãos, para exprimir
uma fé que não tinha nada a ver com a mitologia pagã, a fé na concepção
virginal, no seio de Maria, d’Aquele que desde sempre era o Verbo Eterno de
Deus.
No século IV, o termo Theotokos é já de uso freqüente no Oriente e no
Ocidente. A piedade e a teologia fazem referência, de modo cada vez mais
freqüente, a esse termo, já entrado no patrimônio de fé da Igreja.
Compreende-se, por isso, o grande movimento de protesto, que se
manifestou no século V, quando Nestório pôs em dúvida a legitimidade do título
“Mãe de Deus”. Ele de fato, propenso a considerar Maria somente como Mãe do
homem Jesus, afirmava que só era doutrinalmente correta a expressão ‘Mãe de
Cristo’. Nestório era induzido a este erro pela sua dificuldade de admitir a
unidade da pessoa de Cristo, e pela interpretação errônea da distinção entre as
duas naturezas – divina e humana – presentes n’Ele.
O Concílio de Éfeso, no ano 431, condenou as suas teses e, afirmando a
subsistência da natureza divina e da natureza humana na única pessoa do Filho,
proclamou Maria Mãe de Deus.
As dificuldades e as objeções apresentadas por Nestório oferecem-nos
agora a ocasião para algumas reflexões úteis, a fim de compreendermos e
interpretarmos de modo correto esse título.
A expressão Theotokos, que literalmente significa ‘aquela que gerou Deus’,
à primeira vista pode resultar surpreendente; suscita, com efeito, a questão
sobre como é possível que uma criatura humana gere Deus. A resposta da fé da
Igreja é clara: a maternidade divina de Maria refere-se só a geração humana do
Filho de Deus e não, ao contrário, à sua geração divina. O Filho de Deus foi
desde sempre gerado por Deus Pai e é-Lhe consubstancial. Nesta geração eterna
Maria não desempenha, evidentemente, nenhum papel. O Filho de Deus, porém, há
dois mil anos, assumiu a nossa natureza humana e foi então concebido e dado à
luz Maria.
Proclamando Maria ‘Mãe de Deus’, a Igreja quer, portanto, afirmar que
Ela é a ‘Mãe do Verbo encarnado, que é Deus’. Por isso, a sua maternidade não
se refere a toda a Trindade, mas unicamente à segunda Pessoa, ao Filho que, ao
encarnar-se, assumiu dela a natureza humana.
A maternidade é relação entre pessoa e pessoa: uma mãe não é Mãe apenas
do corpo ou da criatura física saída do seu seio, mas da pessoa que ela gera.
Maria, portanto, tendo gerado segundo a natureza humana a pessoa de Jesus, que
é a pessoa divina, é Mãe de Deus.
Ao proclamar Maria ‘Mãe de Deus’, a Igreja professa com uma única
expressão a sua fé acerca do Filho e da Mãe. Esta união emerge já no Concílio
de Éfeso; com a definição da maternidade divina de Maria, os Padres queriam
evidenciar a sua fé a divindade de Cristo. Não obstante as objeções, antigas e
recentes, acerca da oportunidade de atribuir este título a Maria, os cristãos
de todos os tempos, interpretando corretamente o significado dessa maternidade,
tornaram-no uma expressão privilegiada da sua fé na divindade de Cristo e do
seu amor para com a Virgem.
Na Theotokos a Igreja, por um lado reconhece a garantia da realidade da
Encarnação, porque – como afirma Santo Agostinho – ‘se a Mãe fosse fictícia
seria fictícia também a carne... fictícia seriam as cicatrizes da ressurreição’
(Tract. In Ev. loannis, 8,6-7). E, por outro, ela contempla com admiração e
celebra com veneração a imensa grandeza conferida a Maria por Aquele que quis
ser seu filho. A expressão ‘Mãe de Deus’ remete ao Verbo de Deus que, na
Encarnação, assumiu a humildade da condição humana, para elevar o homem à
filiação divina. Mas esse título, à luz da dignidade sublime conferida à Virgem
de Nazaré, proclama, também, a nobreza da mulher e sua altíssima vocação. Com
efeito, Deus trata Maria como pessoa livre e responsável, e não realiza a
Encarnação de seu Filho senão depois de ter obtido o seu consentimento.
Seguindo o exemplo dos antigos cristãos do Egito, os fiéis entregam-se
Àquela que, sendo Mãe de Deus, pôde obter do divino Filho as graças da
libertação dos perigos e da salvação eterna.
Referência:
AQUINO, Felipe Reinaldo Queiroz de. A Virgem Maria: 58 Catequeses do Papa
João Paulo II sobre Nossa Senhora. 2ª Edição. São Paulo: Cléofas. 2001.
Leia
também a Carta do Papa Bento XVI sobre o dia Mundial da Paz 2013

